domingo, 15 de maio de 2011

O poder da convivência


Ao mesmo tempo em que o isolamento permite o avanço da ansiedade prejudicial, o contato humano pode ter efeito contrário. O momento humano - quando duas pessoas se vêem face a face e ouvem o que cada uma tem a dizer - dá à pessoa ansiosa a oportunidade de se livrar do peso da ansiedade, de poder obter de seu ouvinte um feedback da realidade, de poder ser tranqüilizada no sentido de que ela não está só na luta contra problemas aparentemente intransponíveis.
Esse momento humano em que ocorre a interação entre duas pessoas é essencial para combater o estresse negativo e as preocupações mal fundadas. Outras formas de convivência positiva, porém, são importantes também e constituem poderosos antídotos contra o estresse e a ansiedade. No local de trabalho, todas as pessoas - funcionários individuais, supervisores e profissionais autônomos - devem se esforçar para incrementar a convivência delas próprias e de outras com aquelas pessoas nas quais elas confiam e com idéias e coisas que para elas têm valor.
Dois tipos de interação são fundamentais no local de trabalho: convivência com colegas e com a missão da empresa.
  • Convivência com colegas. Isso exige esforço de sua parte, mas vale a pena. Procure outros membros de seu departamento ou de sua equipe sem, contudo, limitar-se a esse grupo de pessoas. Comece dizendo um simples olá! Fique um pouco na cantina conversando sobre trivialidades. No restaurante, procure sentar-se ao lado de uma pessoa que você não conhece. Ao conversar com as pessoas, procure saber a respeito do trabalho, da família ou de outros interesses delas - normalmente, ficamos satisfeitos quando alguém se interessa por nós.

    Empreendedores e funcionários que trabalham em casa podem promover reuniões, formando um grupo unido que compartilha suas experiências - sucessos e problemas, ansiedades e preocupações. Reuniões semanais ou mensais (ou até mesmo nas salas de bate-papo da internet), com a finalidade expressa de manter contato, são usadas, primariamente, como ferramentas para o intercâmbio de informações profissionais, mas também podem satisfazer as necessidades que o ser humano tem de convivência social.
  • Convivência com a missão da empresa. No serviço, falar constantemente sobre os projetos da equipe ou sobre a missão da empresa pode ajudá-lo a criar o mesmo espírito de união quando você troca idéias com um colega. Ao sentir que você faz parte de um todo e não de um conjunto intercambiável, isso cria um senso de valor próprio. Como supervisor, ao encorajar esse tipo de espírito de união, você contribui para o aumento da produtividade de sua equipe. Como funcionário, ao demonstrar interesse nas pessoas, você ajuda a transformar uma ansiedade negativa em energia positiva.
Esses dois tipos de convivência podem produzir um senso de união no ambiente de trabalho que é fundamental tanto para o bem-estar da equipe quanto para sua produtividade.
A convivência para soluções imediatas
Relacionamentos duradouros, positivos e confiáveis, podem ser o melhor tipo de convivência antiansiedade. Às vezes, porém, tudo o que a pessoa precisa é de uma solução rápida. Contactar alguém para encontrar uma solução rápida não resolve problemas sérios, mas pode ser muito útil no que diz respeito a crises esporádicas que, praticamente, todo o mundo tem.
O consolo curativo. Por exemplo, se dois diferentes supervisores pedirem a um funcionário para preparar dois relatórios distintos a serem entregues no mesmo dia, é provável que o funcionário entre em pânico por causa do volume de trabalho que a tarefa vai exigir. Pode parecer algo impossível de ser realizado, e quando a pessoa antecipa o fracasso cria ondas de estresse prejudicial. O que fazer? Em situações como esta, o funcionário pode usar algum tipo de consolo apenas para ajudá-lo a enfrentar com êxito aquele momento difícil.
O consolo é um tipo de convivência que diz à pessoa ansiosa que tudo vai dar certo. É um tipo de alívio que, por ser uma expressão contrária, pode amenizar a ansiedade e propiciar encorajamento suficiente para ajudar a pessoa aflita a sair daquela situação difícil. É fácil de dar e é sempre bem-vindo.
  • Obtendo consolo. Peça consolo quando precisar dele. Isso é difícil para algumas pessoas, mas vale a pena aprender como fazê-lo. Não use linguagem corporal ou perguntas evasivas para que as pessoas descubram que você precisa de consolo. Apenas diga: Diz pra mim que tudo vai dar certo. E o que é ainda mais importante: dirija-se à pessoa certa. Algumas pessoas, simplesmente, não conseguem responder - ou porque estão muito distantes ou porque são honestas demais. Certifique-se de que a pessoa a quem você pediu consolo saberá quando for encorajadora e quando será preciso dar uma opinião honesta.
  • Dando consolo. Mesmo que seja fácil tranqüilizar alguém, pode parecer algo difícil. Se você nunca recebeu consolo ou caso acredite que as pessoas precisam ser fortes o suficiente para enfrentar seus problemas sem precisar de consolo ou se você for do tipo de pessoa que acredita que se deve sempre ser honesto quanto às perspectivas de sucesso ou de fracasso, então, neste caso, talvez você tenha alguma resistência quanto a dar consolo. Você vai se surpreender ao saber que poucas palavras de consolo podem fazer com que uma pessoa transforme sua ansiedade em produtividade. Diga à pessoa: Tudo vai dar certo. Dê-lhe um tapinha nas costas, um pequeno abraço, um pouco de esperança para se ter confiança.
O consolo é apenas um curativo para cobrir uma ferida. Se essa for a única ferramenta para contra-atacar a ansiedade, ela não é suficiente. Pessoas com história de ansiedade crônica precisam mais do que um consolo. Precisam desafiar a si mesmas de forma mais sistemática e holística.
Obtendo alívio com o desabafo. Outra forma de convivência visando a uma rápida solução é o desabafo. Por exemplo, se sua semana foi horrível e parece que tudo deu errado - seu carro enguiçou, seu assistente pediu demissão, seu computador pegou um vírus e seu orçamento não foi aprovado -, você pode se sentir derrotado e começar a conjecturar qual será a próxima catástrofe. O estresse gerado ao lidar com problemas reais como esses pode, subitamente, assumir proporções gigantescas e interferir na abordagem racional da solução de um problema. Em casos assim, um consolo não vai ser suficiente - é necessário que haja, adicionalmente, uma saudável sessão de desabafo.
Desabafar pode trazer alívio, pois você tem a chance de se desfazer do peso de seus problemas. O simples fato de listá-los em voz alta pode reduzir o poder que eles têm de assolar sua mente ansiosa. Desabafar pode lhe fazer bem!
Não obstante, certifique-se de desabafar com a pessoa certa. Você precisa de alguém para ouvi-lo e demonstrar empatia, e não de alguém que vai considerar que seus problemas não têm a menor importância e muito menos alguém que queira resolver tudo por você. A finalidade do desabafo é aliviar sua mente para que você tenha a condição mental de se revitalizar e voltar a lidar com seus problemas de forma apropriada.
Conversando consigo mesmo
A autoconvivência pode ser uma das mais eficazes estratégias de como desafiar e vencer o estresse. À medida que crescemos e adquirimos experiência sobre o mundo em que vivemos, desenvolvemos pensamentos automáticos que nos ajudam a identificar seletivamente nossas percepções e experiências. Se esses pensamentos automáticos forem saudáveis e construtivos, conseguiremos lidar com os problemas da vida de forma positiva. Entretanto, as pessoas que têm ansiedade crônica, em geral, sujeitam-se a pensamentos automáticos negativos que contribuem para sua ansiedade e estresse.
O poder dos pensamentos negativos
A autoconvivência negativa, isto é, aquilo que você diz a si mesmo, contribui diretamente para o seu estresse. A autoconvivência está relacionada aos seus pressupostos e crenças pessoais e é algo tipicamente automático, familiar e inconsciente.
  • Nosso corpo não consegue distinguir entre nossas experiências reais e aquilo que imaginamos. Quando imaginamos um resultado ruim - por exemplo, ser despedido do emprego -, nosso corpo reage ao pensamento como se estivesse acontecendo na realidade. Todas as reações físicas que podem acontecer em uma situação de perigo real também acontecem quando criamos imagens mentais.
  • Estamos constantemente falando com nós mesmos, e se essas mensagens forem negativamente críticas (Como eu pude fazer uma bobagem dessas!) ou um xingamento (Seu idiota!) -, então passamos a acreditar nelas.
  • Dificilmente paramos para analisar o que falamos com nós mesmos. Por exemplo, não temos o hábito de nos opor à crítica por sermos compreensivos ou perdoadores. Em outras palavras, não argüimos nossas próprias conjecturas. Visto que não oferecemos qualquer resistência aos pensamentos negativos, como Sei que não vou conseguir esse aumento, esse tipo de pensamento pode se tornar uma realidade por si só. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário